É difícil defender uma banda com essa pose, mas eu vou tentar
Nos últimos tempos tem havido uma onda de ódio por parte das pessoas com relação a banda Restart e seus respectivos fãs. Ódio justificado ou birra conservadora?
Para começar esse texto, gostaria de deixar claro que não gosto de Restart. Não por nenhum motivo xiita. Não só gosto, acho uma merda.
Inclusive esse deveria ser o argumento de todo mundo que não gosta: “Acho uma merda” e acabou. Mas assim como os fãs desesperados da “Família Restart” tem seus argumentos estúpidos, achando todo tipo de crítica uma “puta falta de sacanagem”, os anti-Restart são tão imbecis quanto.
Vendo as críticas que fazem a banda e seus fãs, percebesse um alto teor de conservadorismos rancoroso, coisa de velho e pior, muitos que criticam, nem são tão velhos assim. Vamos dar uma olhada nos tipos de críticas mais recorrentes.
Isso não é Rock n’ Roll! Essa música é um lixo!
Beleza, até concordo com essa crítica, acho mesmo essa música um lixo.
Mas é exatamente o mesmo tipo de crítica que se fazia ao Punk Rock, no início do movimento.
Diziam que não era Rock, era só um bando de garotos fazendo barulho (lhe soa familiar?), que Rock n’ Roll mesmo era Pink Floyd e seus chatíssimos intermináveis solos de guitarra/bateria/baixo/cahorro e afins.
Antes de que algum punk-de-butique grite: “Mas você quer comparar Restart com Punk Rock?”, respondo.
Que mal tem isso? Punk Rock era visto como lixo musical, tocado e ouvido por adolescentes de cabelos estranhos e roupas escrotas. (Já ouviu alguém fazer essas mesmas críticas a Familía Restart?)
- Coloridos, cabelos escrotos e roupas ridículas
Olha esse bando de garotas retardadas que ficam gritando para esses manés!
Na moral, desde que o mundo é mundo e a cultura pop é cultura pop, que existem “garotas retardadas que gritam”.
Na época do Beatlemania, era tão absurdo que os shows se tornaram impossíveis de serem feitos, de tanta gritaria mal davam para os músicos se ouvirem. Quem já ouviu uma gravação ao vivo dos Beatles sabe do que estou dizendo, eles já não era grandes músicos, sem conseguir se ouvir então…
Mas na boa, poderia ficar aqui citando inúmeros exemplos da relação fãs histéricas e ídolos, mas seria chover no molhado.
Mas tem um exemplo que não posso deixar escapar.
Já repararam como os fãs de metal, feios, sujos e agressivos se portam iguais mocinhas no cio quando vêem um de seus ídolos?
Na boa, a gritaria e choradeira de um fã de Iron Maiden é exatamente igual ao de uma fã de Restart. Já ví marmanjo barbado chorando ouvindo One em show do Metallica: “Caralho, essa música é muito foda, me emociona pra caralho”
Alá, eles tocaram Fear of the dark para mim, Eu te amo Maiden!!!
Olha as roupas rídiculas que esses caras usam!
Sem dúvida nenhuma, as roupas são ridículas. Maneiro mesmo são aquelas calças de skatistas que a galera das rampas usa. Claro, tirando o fato que cabem uns três skatistas magrelos dentro de cada uma delas.
E os cabelos dos Skinheads? Você vê de longe um grupo e pensa: “Maneiro, o clube da quimioterapia saiu para pegar um ar”
Isso sem falar em moicanos, calças de couro apertadas, jaqueta com rebites, topete no cabelo, bermuda de veludo da ciclone…
Fala sério, toda roupa de uma “tribo” é ridícula para quem vê de fora, mas não por uma questão antropológica e sim porque são ridículas mesmo.
Mãe, tô saindo com a galera...
Esses malucos dessa banda são um bando de viados!
Ah, vá! Então você quer dizer que seus ídolos são machos para caralho, só exemplo de heterosexualidade plena.
Claro, porque Freddie Mercury debaixo daquele bigode e collant branco era macho até debaixo de outro macho.
Vai falar do Mick Jagger, comedor mor do Rock n’ Roll, mas acho que está esquecendo de quando a mulher do David Bowie pegou o Stone com seu marido e o Mick falou para ela “Relax baby, it’s only rock and roll, but i like it“.
Claro, no metal não tem afrescalhado, até porque o Rob Halford do Judas Priest quando assumiu sua homosexualidade estava querendo dizer que se para ser homem tem que dar três vezes, podia chamar ele de Super-Homem.
A viadagem come solta no Rock n’ Roll desde sempre. Nas festinha que rolavam na Factory o lema era “Aumenta o volume e encosta cu na parede!”
Chamar de viado não é argumento, hein mocinho...
A conclusão é que essas críticas são mais um ranço reacionário que críticas em si.
Deixem a garotada ouvir Restart em paz, deixa a família Restart seguir em frente, com certeza seus ídolos também foram taxados de merda um dia, já falaram do seu cabelo, das suas roupas e tudo isso…
Nós não gostamos deles, mas a galerinha gosta.
Dorme com esse barulho!